Dados Biográficos
OBRAS LITERÁRIAS
Plano para o Melhoramento da Instrução Pública - 1828
Curso Prático e Teórico de Aritmética, segundo o método de Pestalozzi, para
uso de professores e mães de família - 1829
Gramática Francesa Clássica, 1831
Manual para exames de capacidade. Soluções racionais de questões e problemas
de aritmética e de geometria - 1846
Catecismo Gramatical da Língua Francesa - 1848
Programa dos cursos ordinários de física, química, astronomia e fisiologia
Pontos para os exames da Câmara Municipal e da Sorbonne, acompanhado de
Instruções Especiais sobre as dificuldades ortográficas - 1849
OBRAS ESPÍRITAS (Editadas com o pseudônimo ALLAN KARDEC)
O Livro dos Espíritos - ( 18 de abril de 1857)
O Livro dos Médiuns - ( Janeiro de 1861)
O Evangelho segundo o Espiritísmo - ( abril de 1864)
O Céu e o Inferno - ( agosto de 1865)
A Gênese - ( janeiro de 1868)
A Revista Espírita - com publicação mensal começada em 1 de janeiro de 1858
Obras Póstumas - (publicada em 1890, 22 anos após o seu desencarne)
O ESPIRITISMO
O Espiritismo surge como ciência, filosofia e religião, fundamentadas
nas obras de Allan Kardec. " As provas materiais, que o Espiritismo fornece,
tanto da existência da alma como da vida futura, derrocam as idéias
materialistas e panteístas." O Espiritismo demonstra a realidade da
pluralidade das existências e das idéias inatas como sendo conhecimentos
adquiridos em vidas anteriores." ...o caminhar dos povos explica-se pelos
homens do tempo passado, que voltam a esta vida, depois de terem progredido;
as simpatias e as antipatias, pela natureza das relações anteriores,
relações que ligam a grande família humana de todas as épocas aos altos
princípios da fraternidade, da igualdade, da liberdade e da solidariedade
universal." " Em vez do princípio Fora da Igreja não há salvação, que
mantém a divisão e a animosidade entre as diferentes seitas e que tanto
sangue tem feito correr - o Espiritismo tem por máxima: Fora da Caridade
não há salvação, isto é a igualdade dos homens perante Deus, a liberdade
e a benevolência mútuas. Em vez de fé cega, que aniquila a liberdade de
pensar, ensina: a fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão
face a face, em todas as épocas da humanidade; para a fé é preciso uma base
e esta é a inteligência perfeita do que se deve crer; para crer não basta
ver, é preciso sobretudo compreender; a fé cega não é mais deste século;
ora, é precisamente o dogma da fé cega que produz hoje o maior número de
incrédulos, por querer impor-se, exigindo a alimentação das mais preciosas
faculdades do homem: o raciocínio e o livre arbítrio. (Evangelho Segundo
o Espiritismo)."
A época e o lugar
Secúlo XVIII - A França era o farol
intelectual da civilização ocidental. Para lá iam artistas, professores,
filósofos e cientistas. Paris foi, desde muito tempo, a capital européia
mais atrativa para os intelectuais do continente. Juntamente com a Alemanha,
sua maior rival, a França era quem dirigia os rumos do intelecto humano, e
foi com o Iluminismo que Paris passou a ser conhecida como a "Cidade Luz",
pois, depois de tanto tempo à mercê dos ditames do clero e da aristocracia,
o homem era incentivado a ser independente, a pensar com a própria cabeça.
"Todos os homens são iguais", era o slogan do Iluminismo, que nasceu
e teve seus melhores "frutos" no solo francês.
Embora tenha sido, na verdade, um retumbante movimento burguês, com seus
lamentáveis e inevitáveis excessos, a Revolução Francesa teve o mérito de
desmistificar a pseudo-superioridade das classes privilegiadas (a corrupta
aristocracia, e o hipócrita clero católico), levantando a bandeira
contagiante da "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", e da
"Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão".
A vida de Kardec
Foi neste clima de mudanças e de reconstrução de um novo mundo, onde
vingava, por toda a parte o Romantismo, que nasce, a 03 de outubro de 1804,
em plena era napoleônica, na cidade de Lyon, Hyppolyte Léon Denizart
Rivail, que mais tarde adotaria o pseudônimo de Allan Kardec. Ele
era filho de um juiz, Jean Baptiste Antoine Rivail, e sua mãe chamava-se
Jeanne Duhamel. Nasceu na religião Católica mas foi educado no
Protestantismo.
Conta-se que o pai o iniciou com todo cuidado nas primeiras letras e o incentivou à leitura dos clássicos. Denizard Rivail sempre se mostrou muito interessado em ciências e em línguas. Após completar os primeiros estudos em Lyon, Denizard partiu para a Suiça, para completar seus estudos secundários na escola do célebre professor Pestalozzi, na cidade de Yverdun. Bem cedo o jovem de Lyon chama a atenção do mestre que o coloca como seu auxiliar nos trabalhos acadêmicos que exercia, tendo algumas vezes substituido Pestalozzi na direção da escola.
Denizard Rivail bacharelara-se em Letras e Ciências. Falava fluentemente vários idiomas. Após ser dispensado do serviço militar, resolve fundar, em Paris, uma escola nos moldes da de Yverdun, que foi chamada de Liceu Polimático. Ele estava empenhado no aperfeiçoamento pedagógico da educação francesa,e, por isso, escreveu vários livros sobre o assunto, tendo sido premiado, em 1831, por seu trabalho, pela Academia Real de Arras. Por esta mesma época, casa-se com a professora Amélie Gabrielle Boudet.
Quando tudo parecia ir bem, o sócio de Rivail, que era seu tio, leva o Liceu à ruina, por dissipar, no jogo, vastas somas. Nada restava a Rivail que pedir a liquidação do Instituto a que se dedicara com tanto amor. Com o dinheiro resultante da partilha, Rivail sofre um outro revés da sorte. Após ter aplicado o dinheiro na casa comercial de um de seus amigos, este logo abre falência, por realizar maus negócios, e Denizard se vê na constrangedora situação de nada mais ter.
Para poder sobreviver, Rivail se lança frenéticamente a escrever livros didáticos e a trabalhar como contador de três firmas comerciais, o que lhe possibilitou, após o susto e o desespero iniciais, recuperar parte de seu antigo padrão de vida. Chegou a organizar, também, cursos de Física, Química, Astronomia e Anatomia Comparada que eram muito populares entre os jovens da época.
Quase que paralelamente a estes
acontecimentos na vida de Denizard Rivail, ocorre nos Estados Unidos um
conjunto de fenômenos que deram início ao nascimento do moderno Espiritismo
(este termo, espiritismo, foi cunhado em 1857 por Rivail, para distinguir
este movimento do de outras escolas espiritualistas.)
Trata-se dos fenômenos ocorridos em Hydesville, estado de New York, em 1848,
na casa da família Fox, que era metodista, e, portanto, longe de ter
qualquer queda ou interesse por fatos que poderíamos hoje chamar de
paranormais.
As fortes pancadas que começaram a ser ouvidas no quarto das irmãs Katherine e Margaretta e que se fizeram freqüentes por várias semanas, levaram a primeira, então com nove anos, a desafiar "o batedor" a reproduzir as pancadas que ela mesma daria. A prontidão das respostas acabaria por marcar o início desse tipo de comunicação entre vivos e mortos. (Enciclopédia Mirador-Britânica, pg.4171).
Por esta época, em Paris, estava em voga uma nova moda. Tratava-se das chamadas "mesas falantes" ou "mesas girantes", que consistia em se fazer perguntas ao redor de uma mesa ou outro móvel qualquer, que respondia através de pancadas às perguntas formuladas. Isto era visto apenas como uma sutil e inexplicável diversão de salão, quando não era encarada como uma brincadeira ou embuste espirituoso. Mas havia quem levasse a sério tais coisas, pois muitas vezes as mesinhas davam respostas corretas sem que ninguém conseguisse provar ou descobrir quem ou o que fazia as mesas responderem. Convém notar que esta "moda" das mesinhas que giravam, parecia ocorrer em todos os lugares e em vários países, o que dificilmente pode ser creditado ao acaso.
Em 1854, Denizard ouve falar pela primeira vez sobre tais "fenômenos", mas sua primeira atitude é de ceticismo: "eu crerei quando vir, e quando conseguirem provar-me que uma mesa dispõe de cérebro e nervos, e que pode se tornar sonâmbula; até que isso se dê. dêem-me a permissão de não enxergar nisso mais que um conto para provocar o sono".
Por insistência dos amigos, Rivail presencia algumas das manifestações físicas das mesinhas. Depois da estranheza e da descrença inicial, Rivail começa a cogitar seriamente na validade de tais fenômenos. Eis o que ele nos relata: "De repente encontrava-me no meio de um fato esdrúxulo, contrário, à primeira vista, às leis da natureza, ocorrendo em presença de pessoas honradas e dignas de fé. Mas a idéia de uma mesa falante ainda não cabia em minha mente". E ainda: "Pela primeira vez pude testemunhar o fenômeno das mesas que giravam e pulava em tais condições que dificilmente poderia acreditar serem frutos de embuste ou fraude(...) Minhas idéias longe estavam de terem sofrido uma modificação, mas em tudo aquilo que se sucedia devia ter uma explicação". (Henri Sausse, ed. Opus- 1982).
Foi em 1855 que Rivail testemunha pela primeira vez o fenômeno das mesas girantes. Passa então a observar os fatos; pesquisa-os cuidadosamente e, graças ao seu espírito de investigação, que sempre lhe fora peculiar, resiste a elaborar qualquer teoria preconcebida. Ele quer, a todo custo, descobrir as causas. " Sua razão repele as revelações, somete aceita observações objetivas e controláveis." "Vários amigos que acompanhavam há cinco anos o estudo dos fenômenos, colocam à sua disposição mais de cinquenta cadernos, contendo as comunicações feitas pelos Espíritos. Foi por esse estudo que ele se convenceu da existência do mundo invisível e dos espíritos". (Henri Sausse).
Ele utilizava o material dos cadernos,
com as respostas dadas pelos espíritos, para refazer as mesmas perguntas
para outros médiuns, de preferência desconhecidos dos primeiros. Com base
nas novas respostas, Rivail comparava o conteúdo de ambas, e ficava perplexo
com as similaridades freqüentes entre elas. Ele formulava as perguntas, e
pedia a ajuda de amigos para fazê-las a outros médiuns, em outras
localidades. Ele recebia as respostas e compilava-as organizadamente por
tópicos e assuntos.
O primeiro livro: "O Livro dos Espíritos"
Com o estudo meticuloso das respostas dadas pelos espíritos, por meio de
diversos médiuns e em diversas localidades de diversos países, Rivail teve
suficiente material para compor o seu primeiro livro sobre o Espiritismo.
Ele faz uma lúcida introdução sobre seu trabalho no prefácio da obra: "O
Livro do dos Espíritos", lançado em Paris, em 18 de abril de 1857. Na capa
da obra, está o nome do autor, ou melhor, o seu pseudônimo, Allan Kardec.
Rivail preferiu por este nome em sua mais importante obra, para diferenciar
sua temática das de suas obras anteriores, voltadas à educação e à
pedagogia.
Este nome foi escolhido quando um
espírito que se denominava Z, havia dito a Rivail que eles haviam sido
amigos numa vida anterior. Eles haviam vivido entre os druidas, nas Gálias,
e o nome de Rivail era, na ocasião, Allan Kardec.
"O Livro dos Espíritos" possui passagens e reflexões que vão muito além do
nível de conhecimento ordinário de sua época de publicação, inclusive no que
tange aos aspectos científicos da obra.
No livro Obras Póstumas, também de Allan Kardec, mas publicado após o seu
desencarne, relata: " Durante os primeiros anos de preocupação com os
fenômenos espíritas, foram estes mais objeto de curiosidade que de
meditações sérias. O Livro dos Espíritos fez com que fossem encarados por
outra face: desprezaram-se as mesas falantes, que tinham sido o prelúdio e
se ligou o fenômeno a um corpo de doutrina, que compreendia questões
concernentes à humanidade." " Da aparição do livro data a verdadeira
fundação do Espiritismo, que até então só possuia elementos esparsos, sem
coordenação e cujo alcance não tinha sido compreendido por todos."
Em Janeiro de 1858, Allan Kardec
publica o primeiro número da Revista Espírita, que serviu como poderosa
auxiliar para os trabalhos ulteriores e para a divulgação da Doutrina
Espírita na Europa e na América.
Em 1º de abril de 1858, Allan Kardec
funda a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas que tinha por objetivo
"o estudo de todos os fenômenos relativos às manifestações espíritas e suas
aplicações às ciências morais, físicas, históricas e psicológicas" . O
seu fim exclusivo era do estudo de tudo quanto pudesse contribuir para o
progresso da nova ciência.
Em outubro de 1861, ocorreu o chamado Auto de Fé, promovido pela
Igreja Católica da cidade de Barcelona, na Espanha, onde foram queimadas em
praça pública, cerca de
Extraído
http://www.segueajesus.org.br/vultos.htmAlgumas frases de Kardec:
Se a Doutrina Espírita fosse uma concepção
puramente humana, não teria como garantia senão as luzes de quem a tivesse
concebida.
* * *
Se os Espíritos que a revelaram se tivessem manifestado a um só homem, nada garantiria a sua origem, pois seria preciso crer sob palavra naquele que dissesse ter recebido seu ensino.
* * *
Quis Deus que a nova revelação chegasse aos homens por uma via mais rápida e mais autêntica. Eis por que encarregou os Espíritos de a levar de um a outro polo, manifestando-se por toda parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo de ouvir a sua palavra.
* * *
...se queimassem todos os livros, a fonte da doutrina não seria emudecida, por isso que não está na terra: surge por toda a parte e cada um pode aproveitá-la. Em falta de homens para a espalhar, haverá sempre Espíritos que atingem todo o mundo e ninguém os pode atingir.
* * *
...são os próprios Espíritos que fazem a propaganda, auxiliados por inumeráveis médiuns que suscitam por todos os lados.
* * *
O Espiritismo não tem nacionalidade. Está por fora de todos os cultos particulares, não é imposto por nenhuma classe da sociedade, pois cada um pode receber instruções de parentes e amigos de além túmulo.
* * *
Se o Espiritismo é uma verdade, nem teme a má vontade dos homens, nem as revoluções morais, nem os desmoronamentos físicos do globo, porque nenhuma dessas coisas podem atingir os Espíritos.
* * *
...os Espíritos, por força da diferença existente em suas capacidades, estão longe de estar individualmente na posse de toda a verdade;
* * *
...os Espíritos de ordem mais elevada, os que estão completamente desmaterializados, são os únicos despojados das idéias e preconceitos terrenos.
* * *
...para tudo quanto esteja fora do ensino exclusivamente moral, as revelações que cada um pode obter tem um caráter individual sem autenticidade.
* * *
O primeiro controle é, sem sombra de dúvida, o da razão, à qual é preciso submeter, sem exceção, tudo quanto vem dos Espíritos.
* * *
Toda teoria em manifesta contradição com o bom senso, com uma lógica rigorosa e com os dados positivos que se possuem, por mais respeitável que seja a sua assinatura, deve ser rejeitada.
* * *
A concordância no ensino dos Espíritos é, pois, o melhor controle, mas ainda é preciso que ocorra em certas condições.
* * *
A única séria garantia está na concordância que exista entre as revelações espontâneas, feitas por grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em diversas regiões.
* * *
Prova a experiência que quando um princípio novo deve ter a sua solução, é ensinado espontaneamente em diversos ponto ao mesmo tempo e de maneira, senão na forma, ao menos no fundo.
* * *
Nossa opinião, aos nossos olhos, não passa de opinião pessoal, que pode ser justa ou falsa, desde que não somos mais infalível que qualquer outro. Também não é porque um princípio nos é ensinado que para nós é a verdade, mas porque recebeu a sanção da concordância.
* * *
Esse controle universal é uma garantia para a futura unidade do Espiritismo e anulará todas as teorias contraditórias.
* * *
...quem quer que quisesse atravessar-se contra a corrente das idéias estabelecidas e sancionadas, poderia bem causar uma pequena perturbação local e momentânea, mas nunca dominar o conjunto, mesmo no presente e, ainda menos, no futuro.
* * *
...as instruções dadas pelos Espíritos sobre pontos da doutrina ainda não elucidados, não poderia constituir lei, enquanto ficassem isoladas. Consequentemente, não devem ser aceitas senão com todas as reservas e a título de informação.
* * *
Daí a necessidade de dar à sua publicação a maior prudência.
* * *
E, no caso se julgasse dever publicá-las, importa não as apresentar senão como opiniões individuais, mais ou menos prováveis, mas tendo, em todo o caso, necessidade de confirmação. É essa confirmação que se deve esperar, antes de apresentar um princípio como verdade absoluta, se não quiser ser acusado de leviandade ou de irrefletida credulidade.
* * *
Os Espíritos verdadeiramente sábios, se não se sentem suficientemente esclarecidos sobre uma questão, jamais a resolvem de maneira absoluta.
* * *
Todas as pretensões isoladas cairão pela força das coisas, ante o grande e poderoso critério de controle universal.
* * *
A opinião universal, eis, então, o juiz supremo, o que se pronuncia em última instância. Ela se forma de todas as opiniões individuais. Se uma delas for verdadeira, terá apenas o seu peso relativo na balança. Se for falsa, não pode triunfar sobre todas as outras.
Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações.
Pode-se defini-lo assim:
O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal.
Allan Kardec no Preâmbulo do livro O QUE É O ESPIRITISMO?