

"Se a Doutrina
Espírita fosse uma concepção puramente humana, não teria como garantia
senão as luzes de quem a tivesse concebida.
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Se os Espíritos que a revelaram se tivessem manifestado a um só homem,
nada garantiria a sua origem, pois seria preciso crer sob palavra
naquele que dissesse ter recebido seu ensino.
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Quis Deus que a nova revelação chegasse aos homens por uma via mais
rápida e mais autêntica. Eis por que encarregou os Espíritos de a levar
de um a outro polo, manifestando-se por toda parte, sem dar a ninguém o
privilégio exclusivo de ouvir a sua palavra.
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...se queimassem todos os livros, a fonte da doutrina não seria
emudecida, por isso que não está na terra: surge por toda a parte e cada
um pode aproveitá-la. Em falta de homens para a espalhar, haverá sempre
Espíritos que atingem todo o mundo e ninguém os pode atingir.
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...são os próprios Espíritos que fazem a propaganda, auxiliados por
inumeráveis médiuns que suscitam por todos os lados.
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O Espiritismo não tem nacionalidade. Está por fora de todos os cultos
particulares, não é imposto por nenhuma classe da sociedade, pois cada
um pode receber instruções de parentes e amigos de além túmulo.
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Se o Espiritismo é uma verdade, nem teme a má vontade dos homens, nem as
revoluções morais, nem os desmoronamentos físicos do globo, porque
nenhuma dessas coisas podem atingir os Espíritos.
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...os Espíritos, por força da diferença existente em suas capacidades,
estão longe de estar individualmente na posse de toda a verdade;
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...os Espíritos de ordem mais elevada, os que estão completamente
desmaterializados, são os únicos despojados das idéias e preconceitos
terrenos.
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...para tudo quanto esteja fora do ensino exclusivamente moral, as
revelações que cada um pode obter tem um caráter individual sem
autenticidade".
O primeiro
controle é, sem sombra de dúvida, o da razão, à qual é preciso submeter,
sem exceção, tudo quanto vem dos Espíritos.
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Toda teoria em manifesta contradição com o bom senso, com uma lógica
rigorosa e com os dados positivos que se possuem, por mais respeitável
que seja a sua assinatura, deve ser rejeitada.
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A concordância no ensino dos Espíritos é, pois, o melhor controle, mas
ainda é preciso que ocorra em certas condições.
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A única séria garantia está na concordância que exista entre as
revelações espontâneas, feitas por grande número de médiuns estranhos
uns aos outros e em diversas regiões.
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Prova a experiência que quando um princípio novo deve ter a sua solução,
é ensinado espontaneamente em diversos ponto ao mesmo tempo e de
maneira, senão na forma, ao menos no fundo.
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Nossa opinião, aos nossos olhos, não passa de opinião pessoal, que pode
ser justa ou falsa, desde que não somos mais infalível que qualquer
outro. Também não é porque um princípio nos é ensinado que para nós é a
verdade, mas porque recebeu a sanção da concordância.
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Esse controle universal é uma garantia para a futura unidade do
Espiritismo e anulará todas as teorias contraditórias.
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...quem quer que quisesse atravessar-se contra a corrente das idéias
estabelecidas e sancionadas, poderia bem causar uma pequena perturbação
local e momentânea, mas nunca dominar o conjunto, mesmo no presente e,
ainda menos, no futuro.
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...as instruções dadas pelos Espíritos sobre pontos da doutrina ainda
não elucidados, não poderia constituir lei, enquanto ficassem isoladas.
Consequentemente, não devem ser aceitas senão com todas as reservas e a
título de informação.
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Daí a necessidade de dar à sua publicação a maior prudência.